Palavras ao coração

por Milena Fortes em 29 de maio de 2018

De Johnny Cash a Frida Kahlo, icônicos artistas, escritores e pensadores utilizavam as cartas para fazer suas declarações de amor

“Nós queimaremos o mundo, querida!”. Assim, Machado de Assis intitularia suas palavras à Carolina, com quem foi casado por 35 anos. A sugestão de um amor ardente causou estranheza em alguns estudiosos e, somente mais de 100 anos depois, as pesquisadoras Irene Moutinho e Silvia Eleuterio analisaram a correspondência original e desmistificaram o título: nos garranchos de Machado, na verdade existia a palavra “ganharemos”. Assim, a carta ganhou um novo sentido. Eles ganhariam o mundo em vez de queimar o planeta!

Nas formas de comunicação atuais, os erros de sintaxe ocorrem, na maior parte das vezes, por falhas na digitação ou pelo uso do corretor automático. Aliás, hoje em dia, os textos apaixonados são comumente divulgados em posts nas redes sociais ou em aplicativos de mensagens diretas. Mas, sabemos, nem sempre foi assim.

Ernest Hemingway, Fernando Pessoa e Fiodor Dostoievski eram românticos incorrigíveis que usavam a maestria com as palavras para escrever cartas às amadas. Falavam de amores profundos e se valiam de metáforas e enigmas para enriquecer a escrita. Mais artísticos, Frida Kahlo e Jonny Cash se abriam com um jeitinho todo especial aos famosos amores Diego e June, mas em poucas linhas conseguiam expressar o que sentiam.

A prolixidade é dom mesmo dos escritores. Foram tantas as correspondências que Franz Kafka dedicou à Milena Jesenska que a coleção virou livro. A obra “Cartas à Milena” retrata a relação dos dois por meio de cartas entre os anos 1920 e 1922. Foi à ela, sua alma gêmea, que Kafka confiou seus maiores segredos.

Amor, culpa, ternura, sofrimento, culpa e paixão são alguns dos sentimentos que entrelaçam-se e confundem-se nas cartas destas icônicas figuras. Vale ler, inspirar-se e, quem sabe, escrever à moda antiga para o seu amor neste Dia dos Namorados!

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